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Bolsista utiliza bactérias para o melhor rendimento dos feijoeiros

Publicado: Quarta, 15 Abril 2020 10:54 , Última Atualização: Quarta, 27 Mai 2020 18:59

Bruno Cardillo

Agrônomo graduado pela Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Bruno Ewerton da Silveira Cardillo é mestre em Ciência na área de Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

Fale um pouco sobre o seu trabalho. Como se deu o seu interesse?
Na graduação tive o primeiro contato com as bactérias promotoras do desenvolvimento das plantas (Azospirillum brasilense). Ali desenvolvi um trabalho de iniciação científica com a cultura do milho.

Posteriormente, já no mestrado, tive o prazer de ser orientado pelo Dr. Messias José Bastos de Andrade que me confiou uma parte de seu projeto de pesquisa.

Então pude trabalhar com a cultura do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L) avaliando métodos de aplicação do Rhizobium tropici em conjunto ao tratamento fungicida de sementes. Este fato despertou ainda mais meu interesse sobre a fixação biológica de nitrogênio em Fabáceas (Leguminosas).

Assim, com o interesse e os conhecimentos adquiridos sobre os benefícios das bactérias para o desenvolvimento das plantas, elaborei um projeto de pesquisa para meu doutoramento, de forma a abranger o uso das duas bactérias (Rhizobium tropici e Azospirillum brasilense) na cultura do feijoeiro. Com a orientação da professora Dra. Ana Dionísia da Luz Coelho Novembre resolvemos relacionar os métodos de aplicação deste microrganismo com o rendimento e a qualidade das sementes produzidas pelas plantas.

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Qual o objetivo da pesquisa?
O objetivo com a pesquisa foi avaliar as interferências da aplicação de 20 kg ha-1 de nitrogênio no sulco da semeadura, associada aos diferentes métodos de inoculação com Rhizobium tropici e/ou, com Azospirillum brasilense para o rendimento da planta, qualidade das sementes e para os custos de produção no cultivo do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L). O cultivar utilizado foi o IAC Milênio (nome comercial do grão). As plantas foram cultivadas nas safras “da seca” e “do inverno”, em semeadura convencional ou direta, com irrigação por aspersão.

Qual a importância do trabalho para a realidade brasileira? E no âmbito internacional?
Estudos que buscam entender, desenvolver e aprimorar as técnicas de inoculação destes microrganismos são de suma importância para agricultura brasileira.

Os resultados desta pesquisa, em conjunto com outros trabalhos relacionados, mostram ser possível a utilização destas bactérias no cultivo do feijoeiro para obter elevado rendimento das plantas, reduzir o uso de fertilizantes nitrogenados, bem como o custo de produção, e contribuir para uma agricultura sustentável.

Entretanto, vários aspectos devem ser observados para se alcançar o sucesso na fixação biológica de nitrogênio (FBN) no feijoeiro. Entre eles está o nível tecnológico usado pelo produtor, como o uso da irrigação, do manejo integrado de pragas e doenças, o nível de fertilidade e a estrutura do solo de cultivo. Além disso, as boas práticas de inoculação, seguindo a recomendação do fabricante do inoculante ou do profissional responsável, favorecem o sucesso no uso destes microrganismos.

Para o cenário internacional a utilização desta tecnologia está ligada, principalmente, aos países de clima tropical que podem usufruir de tecnologias e métodos de cultivo semelhantes aos do Brasil, visando a redução do uso de fertilizantes nitrogenados que oneram o custo de produção do feijoeiro.

O que ele traz de diferente daquilo que já é visto na literatura?
Vimos neste trabalho que as plantas do feijoeiro adubadas com 20 kg ha-1 de nitrogênio no sulco da semeadura em conjunto à inoculação com Rhizobium tropici, nas sementes ou no sulco da semeadura, e com Azospirillum brasilense, nas sementes, ou no sulco da semeadura ou nas folhas da planta em diferentes estágios de desenvolvimento, produziram de modo semelhante às plantas adubadas com até 80 kg ha-1 de nitrogênio. Ou seja, com a inoculação dos microrganismos podemos substituir até 60 kg de nitrogênio por hectare. Além disso, a qualidade das sementes produzida também foi similar entre os tratamentos, evidenciando ser possível produzir sementes de qualidade no feijoeiro a partir de plantas inoculadas com estes microrganismos.

Qual a importância do apoio da CAPES?
O apoio da CAPES, por meio da concessão da bolsa de estudos foi de suma importância para o desenvolvimento da minha pesquisa e para manter minhas necessidades básicas de vida. Sem a bolsa de estudos eu não conseguiria executar a pesquisa e obter o título de doutor em Ciências (Fitotecnia) pela USP/ESALQ.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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