Prêmio CAPES de Tese Notícias pct Dra. Gabriela Aparecida dos Santos

Dra. Gabriela Aparecida dos Santos

Publicado: Segunda, 03 Dezembro 2018 15:56 , Última Atualização: Quarta, 09 Janeiro 2019 14:55

Área

 História

Tese

 "Lança presa ao chão": guerreiros, redes de poder e a construção de Gaza (travessias entre a África do Sul, Moçambique, Suazilândia e Zimbábue, século XIX)

Orientadora

 Leila Maria Gonçalves Leite Hernandez

Programa

Programa de Pós-Graduação em História Social da USP

Entrevista

Com Licenciatura em História pela Universidade de São Paulo (USP), concluiu mestrado em História Social (2004) e, em 2012, iniciou seu doutorado dentro da mesma área, onde produziu o trabalho intitulado: “Lança presa ao chão: guerreiros, redes de poder e a construção de Gaza (travessias entre a África do Sul, Moçambique, Suazilândia e Zimbábue, século XIX)”, escolhida para receber o Prêmio CAPES de Tese.

De onde surgiu o interesse em trabalhar com esse tema?
O interesse surgiu na própria graduação. Em 2000 eu fiz uma disciplina chamada História da África, matéria aplicada pela professora Leila Hernandez, minha orientadora no mestrado, doutorado e, atualmente, no pós-doc. Ela passou um texto que muito me chamou atenção: eu nunca tinha ouvido falar do tema da resistência africana no período do século 19, depois da conferência de Berlim. Com isso, meu mestrado já ficou centrado nessa temática, sobre como uma ordem politica africana centralizada se contrapôs a uma inciativa de colonização, a partir de algumas percepções em relação aos autores históricos, que eram os guerreiros. Com essas noções do meu mestrado foi que eu cheguei ao tema do meu doutorado: investigar qual foi o papel dos guerreiros.
De certo modo, esse trabalho busca questionar as analises biologizantes e econômicas do comportamento guerreiro, em geral vinculado ao primitivo ou à ineficiência produtiva, reduzindo-se ao poder destrutivo. Nesse ponto eu busquei recompor as relações sociais de força, poder e dominação que moldavam a potencialidade do ato violento, porque assim os guerreiros interconectavam histórias, influindo em outros cursos como movimentação e interação múltipla.

Sua hipótese inicial foi o que você obteve ao final?
Não foi. Mudou bastante na verdade, porém no aspecto positivo. De inicio, como esses guerreiros são identificados na bibliografia com o território que hoje é Moçambique, eu tinha planejado fazer minha pesquisa lá. Entretanto, conforme fui avançando, descobri que eles também estiveram na África do Sul e nas regiões que hoje são o Zimbábue e a Suazilândia. Até pelo tempo da pesquisa, só foi possível visitar Moçambique e África do sul. No início meu trabalho era centrado, de certo modo, no imobilismo ao pensar que eles permaneceram apenas em Moçambique. Com a pesquisa eu percebi que não: eles se deslocavam por muitos quilômetros para estabelecer contato, relações de poder. A partir desta constatação eu precisei ampliar a abordagem da pesquisa e passei a analisar, dentro dessas regiões, como essas relações são construídas.

A migração desses guerreiros foi motivada apenas por essa relação de contato e poder?
Eles se movimentavam fundamentalmente para conectar linhagens. Esses grupos saíram originalmente da região do que hoje é a África do Sul e foram para Moçambique. Isso no final do século 18, começo do 19. Muitos vínculos deste grupo, que acabaram se expandindo e se estabelecendo em Moçambique, eram mantidos na África do Sul. Logo, muitos desses deslocamentos eram nesse sentido, da manutenção desses vínculos, até porque na África do Sul, outros

Vídeo

(Brasília – Lucas Brandão para CCS/CAPES)
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