Prêmio CAPES de Tese Notícias pct Dr. Carlos Sacristán Yagüe

Dr. Carlos Sacristán Yagüe

Publicado: Segunda, 03 Dezembro 2018 16:10 , Última Atualização: Quarta, 09 Janeiro 2019 11:46

Área

 Medicina Veterinária

Tese

Research and characterization of selected pathogens of cutaneous and mucocutaneous lesions in cetaceans from the Brazilian coast

Orientador

 José Luiz Catão Dias

Programa

Programa de Pós-Graduação em Patologia Experimental e Comparada da USP

Entrevista

Formado em medicina veterinária pela Universidad Complutense de Madrid (Espanha) em 2010, fez estágio curricular no Centro de Investigación en Sanidad Animal (Espanha), onde desenvolveu o gosto pela pesquisa, o que o motivou a fazer seu mestrado com esse mesmo grupo. Sua tese “Research and characterization of selected pathogens of cutaneous and mucocutaneous lesions in cetaceans from the Brazilian coast” foi uma das vencedoras do Prêmio CAPES de Tese.

De onde surgiu o interesse em trabalhar com o tema da sua tese?
Ao chegar ao Brasil, minha ideia era fazer um projeto com uma boa pergunta de investigação, acessando respostas a problemas que acometessem a fauna selvagem, independentemente da espécie. O tema final da minha tese foi proposto pelo meu orientador para responder a uma pergunta levantada inicialmente por parte de alguns pesquisadores da área que estavam observando a presença de lesões cutâneas em cetáceos do Brasil. No entanto, eles não encontravam informações relativas à sua etiologia, nem sobre sua possível aplicação como indicadores da saúde desses animais. Lesões cutâneas são de fácil observação durante estudos de monitoramento de cetáceos, espécies de difícil abordagem no meio selvagem. Eu já tinha trabalhado paralelamente, ao longo do meu mestrado, com doenças de cetáceos e achei que poderia ser um tema interessante e de relevante contribuição científica e prática.

Como foi o processo de formulação da tese?
O processo de formulação da tese foi complexo e difícil, pois coincidiu com um período conturbado para a economia brasileira. A nossa sorte foi dispor de uma boa rede de instituições colaboradoras ao longo do litoral brasileiro que realizam trabalhos de alta qualidade e que facilitaram a obtenção de amostras de cetáceos para a elaboração da tese. Talvez o ponto mais desafiador tenha sido conseguir a identificação molecular do agente das lesões proliferativas esbranquiçadas que observávamos nos cetáceos: sabíamos que eram leveduras, mas não conhecíamos o agente etiológico (causador da doença). Foram dezenas de tentativas ao longo de dois anos e inúmeros protocolos, mas finalmente identificamos Paracoccidioides brasiliensis - um agente fúngico que também acomete humanos e outros mamíferos terrestres, mas que apresenta diferenças relevantes quando acomete golfinhos. Sem dúvida esse foi o primeiro passo para poder compreender a enfermidade, mas ainda há muito a ser estudado sobre esse agente e sua infecção em cetáceos.
Sempre lembrarei dos últimos meses da tese, para mim o momento mais bonito de todo o processo, vendo – dia após dia – o trabalho tomando forma. Nesse período contei com a ajuda inestimável de Ana Carolina Ewbank, do meu orientador e do colaborador principal do nosso projeto, o Dr. Esperón.

Qual o impacto social da sua pesquisa?
Acredito que uns dos principais impactos dessa pesquisa seja o contato com alunos de graduação, que colaboraram como estagiários e realizaram iniciações científicas dentro desse projeto. Tive a oportunidade de participar da formação de estudantes da Itália, do Peru, da Colômbia, da Espanha e do Brasil, o que sempre promove um grande aprendizado, além da sensação de que as novas gerações estão interessadas na problemática meio-ambiental e determinadas a receber a melhor capacitação possível.
Em curto prazo, espero que as técnicas diagnósticas moleculares elaboradas e aprimoradas durante o projeto possam contribuir com a pesquisa de agentes infecciosos, especialmente virais, em cetáceos.
Em médio prazo espero que a minha pesquisa possa contribuir para um melhor conhecimento sobre a saúde dos cetáceos e dos agentes infecciosos que os acometem, e que essa informação ajude a sensibilizar a população sobre a importância do meio marinho e fluvial, e das espécies fascinantes que o habitam.

O que representa receber o prêmio CAPES de tese?
Para mim, receber o prêmio CAPES de tese em primeiro lugar representa uma enorme honra, sabendo a grande qualidade e competitividade da pesquisa em ciências veterinárias desenvolvida no Brasil. Esse prêmio é, sem dúvida, uma das mais altas distinções que um jovem pesquisador pode receber. Em segundo lugar o prêmio me oferece a oportunidade de iniciar o meu pós-doc e continuar as minhas pesquisas com fauna selvagem, uma etapa que estou ansioso para começar!

(Brasília – Lucas Brandão para CCS/CAPES)
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