Prêmio CAPES de Tese Notícias pct Dr. Micael Amore Cecchini

Dr. Micael Amore Cecchini

Publicado: Quarta, 05 Dezembro 2018 16:14 , Última Atualização: Quarta, 09 Janeiro 2019 15:26

Área

Geociências

Tese

Aerosol and thermodynamic effects on the formation and evolution of Amazonian clouds as observed from aircraft measurements

Orientador

Luiz Augusto Toledo Machado

Programa

Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da INPE

Entrevista

 Formado em meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP), encontrou a área de interesse ao trabalhar com partículas de aerossóis, durante a graduação, em um projeto de Iniciação Científica na Amazônia. Desenvolveu seu mestrado no Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), onde descobriu que há uma relação entre o tamanho das gotas de chuva e as concentrações de aerossóis.Sua tese premiada é “Aerosol and thermodynamic effects on the formation and evolution of amazonian clouds as observed from aircraft measurements”.

De onde surgiu o interesse em trabalhar com o tema da sua tese?
Os estudos do mestrado me permitiram compreender a importância de se estudar a física de nuvens. Ao mesmo tempo, a comunidade científica da área vinha cada vez mais prestando atenção aos fenômenos físicos que ocorrem no interior das nuvens. Uma das grandes motivações por trás disso foram os relatórios do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), que concluíram que a falta de conhecimento sobre as características microfísicas das nuvens, assim como a sua alteração pelos aerossóis antropogênicos (poluição), é uma das principais fontes de incerteza para estimar a magnitude das mudanças climáticas.
Nesse contexto havia grandes campanhas observacionais em planejamento para coletar uma grande quantidade de dados sobre as nuvens da Amazônia. Os projetos ocorreram a partir de uma colaboração entre pesquisadores do Brasil, EUA e Alemanha, com os projetos chamados GoAmazon2014/5, IARA e Acridicon-Chuva. Dentre as medidas estabelecidas por tais projetos, as que me chamaram mais a atenção foram aquelas feitas por aeronaves instrumentadas. Eram duas naves coletando informações de dentro das nuvens, como o tamanho das gotas líquidas e cristais de gelo. Eu e o meu orientador concordamos que essa era uma oportunidade única para estudar a física de nuvens no nosso país: não temos um avião próprio e, de certa forma, dependemos de grandes colaborações internacionais para poder realizar tais estudos. Os grandes investimentos necessários para o trabalho com aeronaves significavam que projetos como esses poderiam demorar a ocorrer novamente. Juntando a grande importância do tema e as condições únicas em termos de dados observacionais, a proposta da tese começou a tomar forma.

Qual o objetivo da tese?
Estudar as características das nuvens em sua formação e a evolução com o tempo. Como as nuvens crescem de baixo para cima e estávamos interessados nos momentos iniciais do seu desenvolvimento, focamos nos dados entre a base das nuvens e a altura da isoterma de 0 °C (perto de 5 km de altura para a região). Um dos resultados encontrados foi o de que o tamanho e a quantidade de gotas líquidas de nuvem nessa etapa do desenvolvimento têm papel fundamental no restante do ciclo de vida da nuvem, incluindo quais tipos de gelo (flocos de neve, pequenos cristais, granizo, entre outros) serão formados prioritariamente. Os aerossóis, por sua vez, alteram o tamanho e concentração de gotas na formação das nuvens, portanto também participam de todo seu ciclo de vida de modo indireto.

Como foi o processo de formulação da tese?
Desde o começo sabíamos que teríamos uma boa oportunidade de produzir artigos focando em colaborações tanto com americanos e alemães. Portanto, estruturamos os futuros capítulos da tese como estudos individuais, cada qual com objetivos e conclusões específicas, mas que contribuíssem para um conhecimento global sobre a relação dos aerossóis com as nuvens na Amazônia. Isso me motivou também a escrever a tese em inglês. No final do processo, cada um dos três capítulos de resultados foram também três artigos publicados em revista internacional, sendo eu o primeiro autor, mas com participação de diversos cientistas tanto do Brasil quanto de fora.

Qual o impacto social da sua pesquisa?
De forma geral, a tese contribui para o conhecimento dos processos microfísicos no interior das nuvens. Isto é, como as gotas de nuvem se formam, crescem, e se transformam em cristais de gelo e chuva. Identificamos diversos padrões que ocorrem nos estágios iniciais da formação das nuvens, que contribuem para melhor compreender seu ciclo de vida. Esse tipo de resultado, principalmente devido à falta de dados para a região Amazônica, é fundamental para aprimorar os modelos computacionais que estão por trás das previsões de tempo. Estes ainda apresentam grandes falhas para as regiões tropicais, onde temos relativamente poucos dados e a física atmosférica é significativamente mais complexa do que em regiões de latitudes médias. Neste contexto, creio que o impacto da minha tese é apresentar uma contribuição teórica para o contínuo aperfeiçoamento dos modelos de previsão do tempo, uma atividade cada vez mais indispensável às sociedades modernas.

O que representa receber o prêmio CAPES de tese?
O prêmio foi uma grande fonte de motivação e legitimação do meu esforço. Embora eu soubesse que o meu trabalho era bem estruturado, organizado e executado, muitas vezes houve hesitação ao longo do processo. Dessa forma, você coloca uma grande pressão em si mesmo, a todo o momento questionando se está no caminho certo e se está se dedicando tanto quanto deveria. Agora tenho uma gratidão especial a CAPES e aos avaliadores por terem reconhecido a qualidade da minha tese, que é a síntese não só do meu esforço, mas também de todos que contribuíram de alguma forma.

Vídeo

(Brasília – Lucas Brandão para CCS/CAPES)
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