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Quadrienal 2017

Coordenadores de área falam sobre a avaliação de mestrados profissionais

Publicado: Quinta, 10 Agosto 2017 17:21 | Última Atualização: Quinta, 10 Agosto 2017 18:04

Uma das novidades da Avaliação Quadrienal dos cursos de pós-graduação stricto sensu realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) neste ano foi o período reservado para análise exclusiva dos mestrados profissionais. Entre os dias 31 de julho e 5 de agosto, reuniram-se 20 áreas que possuem nove ou mais programas de mestrado profissional em funcionamento: Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo; Arquitetura, Urbanismo e Design; Ciência da Computação; Ciências Agrárias I; Ciências Ambientais; Economia; Educação; Enfermagem; Engenharias I; Engenharias II; Engenharias III; Engenharias IV; Ensino; História; Interdisciplinar; Medicina I; Medicina II; Odontologia; Planejamento Urbano e Regional/Demografia; Saúde Coletiva. Além das áreas citadas ainda esteve presente a área de Sociologia avaliando tanto os programas profissionais quanto acadêmicos.

Mestrado profissional é a designação do mestrado que enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de um alto nível de qualificação profissional. Confere idênticos grau e prerrogativas que o mestrado acadêmico, inclusive para o exercício da docência. Como todo programa de pós-graduação stricto sensu, a validade nacional do diploma está condicionada ao reconhecimento prévio do curso.

Crescimento
A partir da publicação da Portaria Normativa nº 17/2009 (atualizada pela Portaria nº 131/2017) que regulamentou a modalidade no âmbito da CAPES, houve crescimento nacional desta modalidade nas mais diferentes áreas.

O coordenador da área de Odontologia, Carlos José Soares, da Universidade Federal de Uberlândia, ressalta no atual momento a construção de uma identidade própria desta modalidade. “Sem dúvida, o mestrado profissional na área de odontologia hoje atinge uma maturidade que gera identidade dessa modalidade de programas dentro do panorama nacional. Temos experiências que iniciaram nos anos 90 e hoje temos 24 programas em diferentes perfis, o que significa cerca de 30% dos programas da área. Desde atenção à saúde pública, passando pelo desenvolvimento de produtos e tecnologias, assim como formação voltada para serviço odontológico. Tudo isso com uma consolidação da identidade. Esse é o ponto mais importante em minha perspectiva.”

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Carlos José Soares (Foto: Edson Morais - CCS/CAPES)

Movimento semelhante se apresenta na área de Administração, responsável pelo primeiro mestrado profissional recomendado pela CAPES, originário de um Master of Business Administration (MBA) da Fundação Getulio Vargas (FGV), cuja primeira turma teve início em 1978. “A partir da portaria de 2009, quando se teve um incentivo para integrar a formação em pós com o mercado e as organizações, assim como uma orientação mais clara do que são os cursos, começou um avanço expressivo da área em termos de números de programas”, explica a coordenadora, Eliane Pereira Zamith Brito da FGV de São Paulo.

Hoje, de 182 cursos da área de administração, 75 são mestrados profissionais. “É um número expressivo, mas o que é mais expressivo é o crescimento avassalador nos dois últimos períodos de avaliação, de 2010 até agora”. Para a coordenadora, o crescimento é resultado da compreensão que o mestrado profissional atende, particularmente as áreas mais diretamente vinculadas ao mundo do trabalho e ao sistema produtivo, a demanda de profissionais qualificados.

“Fizemos o esforço de tornar mais claro como deveria ser o perfil do egresso de um mestrado profissional, assim como o que deveria ser o trabalho de conclusão desse curso: não necessariamente uma dissertação nos moldes tradicionais, pelo contrário, deve se preocupar com a intervenção nas organizações e dessa intervenção gerar produtos que reflitam a melhoria do ambiente em que o aluno está trabalhando”, conta Eliane.

A modalidade também tem crescimento relevante na área de Saúde Coletiva, como explica o coordenador Guilherme Loureiro Werneck da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).“A área de Saúde Coletiva se caracteriza na sua origem como espaço onde você tem conhecimento científico para o estudo da distribuição de doenças na população e da gestão dos serviços de saúde com uma face muito aplicada. O conhecimento tem intenção de modificação social muito clara, que se dá por meio dos serviços de saúde, públicos ou privados, geralmente envolvidos no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das missões da área de saúde coletiva é, portanto, formar não apenas pesquisadores, cientistas e professores para universidades, mas formar pessoal qualificado para resolver os problemas concretos que surgem nos serviços de saúde”.

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Guilherme Loureiro Werneck (Foto: Edson Morais - CCS/CAPES)

Cerca de 40% da área de Saúde Coletiva são programas profissionais, que abordam temas bastante diferentes, desde saúde na família a avaliação de tecnologias a serem integradas pelo SUS.

Particularidades
A área de administração já realizava as avaliações dos cursos profissionais de maneira separada, mas em um mesmo momento, desde 2010. “Agora em 2017 praticamente só chamamos professores de programas profissionais para a realização da avaliação, fizemos em períodos separados e criamos métricas distintas. A avaliação de um programa profissional deve levar em conta a formação em métodos, em pesquisa, em pensamento científico, todo o lado acadêmico - já que estamos formando mestres e em breve teremos doutores – mas é fundamental que o produto realizado reflita com uma melhora do seu entorno, uma aplicabilidade”, afirma Eliane que também era coordenadora na última avaliação da CAPES.

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Eliane Pereira Zamith Brito (Foto: Haydée Vieira - CCS/CAPES)

A busca por metodologias aplicadas além da separação em dois momentos de avaliação permitiu mais dedicação dos coordenadores de área e construção de indicadores específicos que retratem as particularidades do mestrado profissional, ressalta Carlos José Soares. “Na área a de Odontologia foi a primeira vez que conseguimos construir indicadores específicos para valorizar a formação técnica, a formação de profissionais que atendam as demandas do mercado, com olhar do mercado do serviço, diferente do olhar acadêmico, onde a produção do conhecimento tem outro foco. Podemos ver na área o crescimento da qualidade, que tem a ver com o olhar diferenciado da avaliação, como selecionar os indicadores adequados para esse fim e então colher as boas práticas da modalidade”, conclui.

Nesse sentido, os coordenadores corroboram com as diretrizes da CAPES em que o mestrado profissional responde a uma necessidade socialmente definida de capacitação profissional de natureza diferente da propiciada pelo mestrado acadêmico e não se constitui em uma alternativa para a formação de mestres segundo padrões de exigência mais simples tradicionalmente já adotados pela pós-graduação.

“Os cursos de formação profissional são cursos stricto sensu, para formarem pessoas em pesquisa. Porém um tipo de pesquisa que tenha devolução para o sistema não acadêmico. Então, do ponto de vista de formação, o mestrado profissional pode ser até mais complexo que o acadêmico. Temos que cumprir uma série de requisitos de formação acadêmica tradicional, de pesquisa científica, além de ter uma aplicabilidade”, define o coordenador da área de Saúde Coletiva.

Sobre a Avaliação
Iniciada pela CAPES em 1976, a avaliação da pós-graduação stricto sensu é um exame periódico de qualidade acadêmica de todos os programas de pós-graduação stricto sensu (mestrados e doutorados) em funcionamento no país. O processo é fundamental para a manutenção do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), e seus resultados têm usos diversos: estudantes se baseiam nas notas para escolher seus futuros cursos, e agências de fomento nacionais e internacionais orientam suas políticas de fomento segundo as notas atribuídas pela avaliação. Estudos e indicadores produzidos a partir da avaliação são também usados para embasar políticas governamentais de indução e crescimento da pós-graduação e no estabelecimento de uma agenda para diminuir desigualdades entre regiões do Brasil ou dentro das áreas do conhecimento.

(Pedro Arcanjo)

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