Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Sala de Imprensa > Notícias > Diário 4 - Rotina
Início do conteúdo da página
IODP

Diário 4 - Rotina

Publicado: Sexta, 27 Outubro 2017 13:58 | Última Atualização: Segunda, 06 Novembro 2017 15:56

Quando chegam os tubos de sedimentos das perfurações, todos os cientistas correm para a chamada catwalk para conferir a cor e textura do material. É um entusiasmo engraçado se nós, não cientistas, pensarmos que é por nada mais que uma lama. Mas é uma lama cheia de material orgânico e inorgânico muito, mas muito antigo, e com a convivência e a compreensão de todas as informações que podem ser coletadas dela, eu também comecei a correr para ver.

27102017 diario de bordo 4 2356
O sedimentólogo Tao Jiang fazendo a identificação da cor do testemunho (Foto: Cristiane Delfina)

A retirada dos tubos de sedimentos acontece mais ou menos a cada uma hora e meia. Das janelas vemos a grande torre de perfuração se movendo para cima e para baixo, e quando está próxima de terminar o ciclo, monitores espalhados por todo o navio exibem uma contagem de 1000 segundos, e aí começa a movimentação até o aviso “Core on Deck” (amostra no convés), ouvido por todos os lados e cada vez com uma entonação, que sempre me faz pensar em como anda o dia daquele técnico que nos informa. O anúncio convoca os técnicos para colocarem seus capacetes, óculos e luvas e irem receber o tubo de acrílico de 9 metros contendo um material que pode ser muito aguado e branco, verde e duro, rosado e cremosos, entre outras combinações de cores e texturas. Um dos técnicos vai primeiro e recebe um cano menor, contendo somente alguns centímetros de amostra. É tudo bem ritualístico e sempre me traz à mente uma prova de vinho. Ele traz essa pequena porção para uma mesa, e entrega um pedaço ao paleontólogo, que fará a limpeza em peneiras de diversas aberturas, retira uma quantia muito fina para espalhar em uma lâmina de vidro e analisá-la no microscópio.

27102017 diario de bordo 4 2293
O testemunho, quase branco, formado por microfósseis calcários (Foto: Cristiane Delfina)

O grande tubo é então cortado em partes iguais que vão para uma espécie de forno, limpeza e separação de líquidos e gases até serem cortados na transversal para outras análises físicas. Os geólogos, geoquímicos e geofísicos reúnem-se ao redor dessas amostras e começam a falar sobre as cores, as mudanças de textura e preservação do material. Aprendi por exemplo, que os sedimentos brancos e leitosos têm essa cor por serem formados quase totalmente por microfósseis, e a velocidade das ondas podem ser detectadas em pedaços das amostras para medir a profundidade das camadas geológicas de onde foram retiradas.

27102017 diario de bordo 4 2350
Um dos testemunhos visto de perto (Foto: Cristiane Delfina)

Ao meio dia e à meia noite existe a reunião de troca de equipe, pois todos trabalham em turnos de 12 horas. Nessa reunião, os “times” falam sobre o que encontraram e o que fizeram no dia para atualizarem seus equivalentes do próximo turno, e assim o processo segue com algumas variações envolvendo expectativas, eventos especiais (como algum seminário ou reunião importante), o movimento do navio ou a aparição de uma baleia.

27102017 diario de bordo 4 2355
Tabela de cores padrão para identificação nos testemunhos (Foto: Cristiane Delfina)

 

27102017 diario de bordo 4 2031
Peneiras usadas para lavar a primeira amostra de sedimentos (Foto: Cristiane Delfina)

Fim do conteúdo da página