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Bolsista da CAPES cria lentes de contato com efeito terapêutico

Publicado: Quarta, 01 Abril 2020 09:25 , Última Atualização: Quarta, 01 Abril 2020 10:23

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Formada em Farmácia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fábia Juliana Jorge de Souza é mestranda do programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde pela mesma instituição. Sua pesquisa, feita no Laboratório de Sistemas Dispersos (LaSiD), desenvolve uma lente de contato especial, que libera a medicação diretamente no olho, de forma controlada.

Fale um pouco sobre o seu trabalho.
O projeto busca desenvolver lentes de contato oftálmicas para uso terapêutico. Esse sistema consiste no uso de um polímero, um agente reticulante e um princípio ativo.

Durante a produção, o princípio ativo é aprisionado entre as cadeias do polímero. Uma vez em contato com a lágrima, o sistema absorve esse fluido e libera o ativo de forma controlada, lenta e contínua. Aumenta-se assim o tempo de contato do ativo com a região ocular e elimina-se a necessidade de múltiplas aplicações. Com isso, aumentamos a eficácia e a comodidade terapêutica para o paciente.

Que tipo de efeito terapêutico as lentes têm?
Essas lentes de contato têm potencial para ser uma alternativa aos tratamentos de doenças oculares, permitindo carrear princípios ativos de várias classes terapêuticas (antibióticos, antifúngicos, anestésicos etc). Dessa forma, dependendo do ativo incorporado, essas lentes podem ser usadas no tratamento de diversas doenças oculares, tais como: conjuntivite, glaucoma, infecções fúngicas ou bacterianas, dentre outras.

Como surgiu o interesse em trabalhar com este assunto?
Pela necessidade de desenvolver tecnologias que possibilitassem a incorporação de moléculas que apresentam um alto potencial no tratamento de doenças oculares, mas que não estão disponíveis comercialmente em virtude de características como baixa solubilidade em água e rápida eliminação da região ocular. Atualmente, a abordagem terapêutica mais utilizada para doenças oculares são os colírios. No entanto, estudos demonstram que apenas 5% da dose administrada no colírio é absorvido, o restante é eliminado, necessitando, assim, de várias aplicações durante o dia, o que dificulta a adesão ao tratamento e, consequentemente, o agravamento da doença ocular.

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Qual a importância deste trabalho para a realidade brasileira?
No Brasil, o último censo demográfico (IBGE 2010) identificou mais de 35 milhões de pessoas com algum grau de dificuldade visual. Do ponto de vista de doenças oculares, espera-se que este estudo permita contribuir para o desenvolvimento de uma nova formulação farmacêutica que trará melhoria na qualidade de vida da população acometida por doenças oculares.

Já no âmbito internacional, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 285 milhões de pessoas no mundo apresentam alguma deficiência visual e cerca de 80% destas são evitáveis ou curáveis. Estamos tentando contribuir para mudar essa realidade e reduzir esses índices. Conforme já exposto, as lentes de contato como forma farmacêutica poderiam solucionar importantes limitações apresentadas pelos tratamentos atuais.

O que ele traz de diferente daquilo que já é visto na literatura?
A literatura mostra estudos para uso de lentes de contato com uma composição diferente. Nossa proposta é produzir as lentes de contato a partir de hidrogéis reticulados quimicamente com o trimetafosfato, apresentando baixo potencial de toxicidade e excelentes características para o controle da liberação do princípio ativo.

Qual a importância do apoio da CAPES?
A CAPES fornece apoio financeiro a membros da equipe na forma de bolsas, possibilitando que esses integrantes se dediquem exclusivamente à pesquisa, um fator crucial para o avanço do projeto.

Quais são os próximos passos?
Como todo produto farmacêutico, há um longo trajeto a ser percorrido para garantir a segurança e a eficácia deste produto. Atualmente nossos estudos estão na fase de compreensão e modelagem matemática dos fenômenos envolvidos na liberação do ativo presente na lente de contato. Uma vez concluída essa etapa, iniciaremos os estudos de eficácia e segurança in vitro e in vivo e, só então, se possível, realizar estudos em humanos.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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