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Jogo garante prêmio à bolsista

Publicado: Sexta, 05 Julho 2019 13:12 , Última Atualização: Sexta, 12 Julho 2019 10:49

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Ex-bolsista do Programa de Excelência Acadêmica da CAPES (Proex) e doutoranda em Genética e Biologia Molecular na Unicamp, Ana Caroline de Carvalho, em parceria com a ilustradora Bianca Alvarenga, inventaram um jogo de tabuleiro que simula o mecanismo do sistema imunológico, o Leuco-Ataque! A iniciativa rendeu-lhes o primeiro lugar no concurso cultural “Apaixonados por Imunologia”, da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), na categoria “Surpreenda”.

Confira nossa entrevista:

Fale um pouco sobre o seu jogo.
O Leuco-Ataque! é um jogo de tabuleiro pensado para o público a partir de 14 anos, mas pode ser jogado por qualquer um. Nele, cada jogador assume o papel de um leucócito, também conhecido como glóbulo branco, célula do sistema imunológico. O objetivo do jogo é manter o organismo (tabuleiro) vivo e funcionando. Assim, o grupo de jogadores começa com 30 pontos de vida e tem como missão manter-se saudável, porém a cada turno pode acontecer algo inesperado que o prejudique, fazendo-o perder pontos de vida: uma queda de bicicleta, uma comida suspeita, uma reação alérgica. Os leucócitos têm de estar de prontidão para se organizar, percorrer o organismo e resolver esta situação rapidamente, antes que uma tenebrosa infecção se instale.

Por que criar um jogo sobre imunologia?
A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), junto com a empresa Biosciences (BD), lançou um concurso cultural focado em divulgação científica no início deste ano, o “Apaixonados por Imunologia”. Com isso iniciamos a produção do jogo em fevereiro deste ano para entregar no início de abril, que era o prazo limite para a inscrição no concurso. A categoria “Surpreenda” me chamou a atenção. Eu gosto muito de jogos de estratégia com cartas e sempre associei meu trabalho em imunologia a isso: um elemento pode exercer milhares de funções diferentes. É um conceito válido para os jogos e é um conceito válido para a imunologia também. Foi onde deu o clique: e se fosse possível transformar o trabalho do sistema imunológico num jogo? E se esse jogo não fosse só para diversão, mas principalmente para aprendizado? Bum! Chamei a Bianca e foi onde começou o Leuco-Ataque!

Como foi o processo de criação do Leuco-Ataque?
Quando criamos o Leuco-Ataque! Queríamos um material diferente, divertido, que pudesse ser usado como complemento ao ensino de imunologia nas salas de aula, principalmente em escolas públicas. Esse foi o nosso desafio e maior motivação: fazer um material barato, fácil de ser obtido e aplicado, com uma linguagem amigável para estudantes e pessoas leigas, porém acurado cientificamente e que permita uma boa discussão em aula.

Qual a importância deste trabalho?
Nós vivemos num tempo em que as ciências estão muito desacreditadas. Uma significativa parcela da população não consegue ter um bom contato com elas. Com isso, acabam não tendo uma base de conhecimento suficiente para poderem distinguir melhor no seu dia a dia o que é verídico, com embasamento científico, ou o que é informação errada. O Leuco-Ataque! surgiu como uma ideia para suprir um pouquinho dessa brecha de conhecimento. Afinal, se eu entendo melhor como o sistema imunológico funciona, eu posso entender um pouco mais sobre o universo de saúde-doença no qual eu vivo e posso tomar decisões melhores para mim mesmo e para as pessoas ao meu redor.

Como foi ser premiada pela Sociedade Brasileira de Imunologia?
O resultado foi divulgado no final de abril deste ano. Eu e Bianca estávamos muito ansiosas. Quem nos avisou foram os meus colegas de laboratório, que viram o resultado na página da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e me mandaram várias mensagens comemorando. Foi sensacional! A premiação foi boa: R$3 mil em produtos da Biosciences (BD). Um bom bônus para ajudar nos custos do projeto de doutorado.

Quais são os próximos passos agora?
Recentemente tivemos a oportunidade de testar o Leuco-Ataque! numa escala bem maior do que já havíamos feito antes, promovendo oficinas dele no evento Ciência Aberta do CNPEM, que contou com mais de 12 mil visitantes este ano. Várias ideias novas surgiram e com certeza vamos trabalhar numa versão 2.0 mais simplificada do que a que está disponível atualmente. Também haverá uma versão voltada para crianças menores, de 6 a 12 anos.
Quero, efetivamente, conseguir levar o Leuco-Ataque! para colégios públicos de Ensino Médio da minha região e fazer oficinas com alunos e professores para testar se a ideia realmente alcança o seu propósito principal. A partir daí pretendo propor seu uso por mais professores e escolas em outras regiões do País. Em paralelo, gostaria de desenvolver o jogo – agora com mais calma – e apresentar, futuramente, a ideia para empresas de jogos de tabuleiro, para que realmente virasse um jogo reconhecido dentro do meu hobby. Seria um sonho conseguir isso.

(Brasília– Redação CCS/CAPES)
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